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Na época pan-arabista de Nasser, os movimentos laicos e progressistas de libertação nacional, se estenderam por todo o mundo, visando derrubar os antigos laços colônias com as velhas metrópoles ocidentais. |
Foi nessa conjuntura que se fez inevitável trás a morte de Nasser, em 1970, encontrar uma formula que atraísse ao novo presidente Sadat a uma espécie de acomodo regional, menos nocivo para os EUA; pois a política começada por Nasser em 1957, de afirmação da solidariedade com outras nações africanas e asiáticas do Terceiro Mundo, alem de iniciar o caminho para consolidação da grande republica árabe unida, nos seus acordos com Síria, era verdadeiramente complicada para a sobrevivência de Israel, algo que ocidente não podia consentir e que virou de facto numa aliança de Nasser com o bloco sino - soviético. Tudo isto num dos momentos mais cruciais da guerra fria.
Com Sadat as cousas voltaram ao seu rego, não sem antes ter de superar sérios episódios de crise regional e guerra, ate a saída dos assessores soviéticos do Cairo para Moscovo, em 1977, o que remataria com a assinatura dos acordos de Camp David, em 1978, entre o primeiro ministro israelense Menahem Begin e o próprio Anwar Al Sadat, graças à intermediação do presidente americano Jimmy Carter.
Trás o assassinato de Sadat em 1981, por um comando da Jihad Islâmica, este foi sucedido pelo seu vice-presidente Hosni Mubarak.
Os EUA ao contrario de que muitas vezes erroneamente se acredita, não tem sido um grande prodígio militar, e sim contrariamente, ao que se popularmente se entende, um grande potencia no plano político, diplomático e geoestratégico.
Durante os conflitos da I e II Grande Guerra Mundial, America intervém militarmente quando Europa já estava completamente devastada; o que redundaria para fazer desta nação o novo poder global a partires de 1945, mas que militarmente era uma posição de supremacia frente a um inimigo muito castigado e desgastado.
Coréia e Vietnam foram uns desastres para os interesses americanos, e nas lutas contra os movimentos de libertação, tanto na África como em Ásia, os sinos ou soviéticos levaram sempre as de ganhar; mesmo em Angola os Cubanos pararam uma coligação respaldada por Ocidente e Sul-África. Excetuando pequenos territórios como Granada ou o Panamá de Noriega, ate mesmo hoje em dia Afeganistão e Iraque, têm-se convertido num verdadeiro quebra-cabeça, que tem complicando seriamente a hegemonia mundial Imperial.
Mas os reveses sofridos no campo de batalha foram continuamente compensados pela supremacia inquestionável dos Estados Unidos, no térreo da inteligência, isto devido em grande parte, a serem o Império americano a sede global mais avançada nos domínios cientifico e tecnológico.
Assim quando este controlo se viu em xeque na década de 70, com a solução ditatorial na America Latina, fecharam a tentativa soviética de expandir sua influencia no seu pátrio das traseiras; com a chegada a lua em 1969 (ainda baixo a suspeita de se for ou não realizado o alunizage, o que desatou longas teorias conspiratórias, que ainda ecoam nos nossos dias) conseguiram rematar com a supremacia soviética no campo espacial; com a dolarização de Nixon em 1973 obtiveram a capacidade de auto financiar-se sem limite ate 2008, o que a longa levaria o desgaste soviético na carreira de armamentos, que a seguir se acelerou. Nesta linha com a apertura de relações com China, por parte também da Administração Nixon e os famosos “jogos do ping-pong”, entre chineses e norte-americanos, conseguiram criar uma fende no campo socialista, fundamental para tombar a URRS, após a intervenção soviética no Afeganistão, e o decidido apoio aos mujahidines internacionais, que em ela lutaram, por parte dos EUA e seu aliado Paquistanês.
Foi no caminho deste colapso do Império Soviético que se criou a semente do islamismo radical, que deveria ser solucionado a seguir na década de 90. Precisamente a Fraternidade Muçulmana, os Irmãos Muçulmanos do Egito teriam muito a ver com estes “guerreiros da liberdade”, como no seu dia foram conhecidos na Europa e nos EUA.
Mas a pesar das teimas da imprensa ocidental, não foi Al-Quaeda a grande beneficiada desta mudança de paradigma no Oriente próximo, dos anos 90, ao moverem-se as placas tectônicas da luta laica de libertação nacional para a luta islâmica nacionalista. O grande beneficiário sem nenhum lugar a duvida foi a revolução Iraniana, encabeçada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, foi esta revolta a que criou a necessidade, no maior auge do fervor Khomeinista, de travar uma guerra Irano – Iraquiana, onde o então aliado de Estados Unidos, Sadam Hussein não saiu muito bem parado, a pesar da sua grande vantagem estratégica e armamentistica.
Outra vez o Império teve de retificar no campo da política o que perdia no campo de batalha. O resultado é de sobra conhecido por todos nós, novo desastre militar incluído trás a IIª guerra do golfo.
As potencias actuam, como os seres humanos, segundo as prioridades do momento. Hoje o grande oponente a nível global já não é nem a União Soviética, nem o islamismo radical, nem sequer a pesar da influencia regional do Irão dos Aiatolás, e a incapacidade ocidental para remover o regime... O grande oponente silencioso hoje em dia e a China do capitalismo estatal.
Para isolar a China, não chegam às bases militares da Coréia, Japão, e o controlo dos estreitos de Malaca e Ormuz, fundamentais para fechar em caso de confronto a saída chinesa pelo pacifico e Indico, senão que é preciso um isolamento total com uma nova aliança tanto com a Rússia de Medvedev como o com a Índia das múltiplas culturas.
Com Índia já foi construída essa relação após os atentados de Mumbai; com Rússia esta a ser construída agora, traz a ultima reunião da OTAN em Lisboa, tendo ao gigante eslavo como convidado de honra; tudo graças aos bons entendimentos entre russos e alemães, que fizeram de ponte, para iniciar as conversas que podem levar a este futuro acordo.
Uma pressão russa ao Irão, pode assentar definitivamente uma relação regional muito mais confortável para o Ocidente. Algum movimento tem sido dado já, senão não houvesse sido possível formar um governo iraquiano, que tem o visto bom de Terá e de Washington. Do mesmo jeito que Arábia Saudita não houvesse possibilitado recentemente a chegada ao governo libanês, de Najib Mikati, em coligação com Hezbollah (aliados do Irão), em 8 de Março do ano passado.
Daí que para poder concretizar este difícil arte de rendilha, no que o mundo ocidental esta mergulhado, o novo Imperador Barack Obama, precise duma mudança democrática em todo o mundo árabe, pois as redes de inteligência americana, que estão em todo momento a pulsar as artérias do planeta, são cientes que sem uma mudança democrática entre as asfixiadas economicamente populações árabes, qualquer implosão imprevisível se pode estalar imediatamente.
Por isso El Baradei, chegava ao Cario um dia depois de iniciadas as revoltas.
O grande problema incrivelmente para administração Obama, hoje em dia é sem duvida, o governo Netanyahu em Tel Aviv, com o qual o mesmo Joe Biden, judeu americano e Presidente do Comitê para as Relações Exteriores, tiveram mais de um encontro falido, na sua ultima visita a Israel.
Por um lado Obama precisa duma paz com os palestinos, que este governo parece não estar disposto a alcançar, ao não cessarem na sua campanha de criação de novos assentamentos em território palestiniano.
Por outra a saída de Mubarak, que hoje precisa ser rápida, para Ocidente poder levar a cabo uma transição pacifica e ordeira, não acaba de convencer ao actual executivo israelense, pois qualquer democracia no Egito, com a presença da Fraternidade Muçulmana, limitaria a capacidade israelense de manobra no território da Autoridade Nacional Palestina, dado os Irmãos Muçulmanos, a pesar da sintonia mantida com diversas organizações americanas e ocidentais, dificilmente poderiam chegar a fechar a faixa de Gaza em ajuda a um bloqueio israelense, como recentemente fez Mubarak durante a intervenção do Tahal (Forças Armadas de Israel) em Gaza.
Mesmo qualquer tipo de governo democrático no Egito, complica as cousas a um governo como o de Netanyahu, pois nenhum povo árabe ficará de braços cruzados, em caso dum confronto com os palestinos, o que condicionaria bastante as opções israelense em caso de ações armadas, dirigidas por Hamas.
Mas por outro lado Hamas depende de Síria e Irão, e um novo acomodo da geoestratégia mundial em favor da aliança com Rússia e conseguinte pressão a Irão, pode virar a posição da Síria, e facilitar um acordo em beneficio das monarquias petroleiras e do Ocidente, o que faria entrar a Hamas num futura roda de negociações; onde um Egito democrático poderia ajudar muito estabelecer uma ponte em essas futuras conversas entre Israel – Hamas e a Autoridade Nacional Palestina.
Tudo isto precisaria claro esta um oferecimento económico a Terá, com melhores condições das que hoje tem com China.
Eis, pois a encruzilhada actual, verdadeiramente complexa, e que um aprofundar da crise econômica a nível global, pode transformar em incontrolável.
Despejar assim o conflito Egípcio, permitindo uma transação com El Baradei à frente, já respaldado pela Fraternidade Muçulmana, e Aymar Nour, respaldado pelo resto da oposição, pode dar uma solução possível, agora que Omar Suleiman, o novo vice-presidente recém nomeado por Mubarak esta disposto a entrar em negociações.
Suleiman é um homem garante dos acordos egípcios – israelenses, pelo que do curso destas negociações vai depender não só a possibilidade de transição pacifica para o Egito, senão a probabilidade do actual governo israelense, abrir a chave da desconfiança que fez que a pirâmide egípcia permanecesse a esta altura ainda fechada. Pois o cambio de Farão é agora totalmente necessário e o sarcófago terá que abrir-se para carregar os restos do velho Farão, numa nova viagem ao outro mundo político, onde jazem as historias dos antigos governantes.
Se este acordo não se conseguir, muito difícil será a paz seja mantida nas ruas.
ARTUR ALONSO



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