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A mudança imparável

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Neste novo cenário em mudança nos topamos com mais uma catástrofe natural que pode alterar o já de por movimento tectônico de transformação do sistema económico sobre o que se assenta a organização e dominação planetar.

O terremoto de Japão alem de trazer consigo o enfraquecimento dum fiel aliado ocidental, leva consigo também a míngua económica de um dos maiores compradores de títulos de dívida do Tesouro Americano, junto com China.

Rússia que já se tem oferecido como possível parceiro energético do Japão, agora que esta posta em causa a possibilidade de independência energética japonesa, traz a catástrofe nuclear, vem de pôr a disposição do governo nipão gás natural de graça para aliviar a falta de energia que sofre o país.

Enquanto em Washington Obama declarava: “Nosso consenso foi forte e nossa decisão é clara. O povo da Líbia precisa ser protegido e, na ausência de um fim imediato à violência contra civis, nossa coalizão está preparada para agir e agir com urgência.” A vez que em Bahreim o povo já foi protegido pelas forças militares da Arábia Saudita.

Estamos pois numa encruzilhada perigosa. Como vimos afirmando em anteriores artigos, Ocidente precisa controlar esta transação a nível global, dum sistema com grande senilidade e a ponto de entrar em falência, a um novo sistema que ainda esta por definir e do qual nem sequer sabemos por onde nos vai conduzir.

Mas podemos observar como os efeitos da especulação sobre os alimentos, junto aos incêndios que este verão em Rússia queimaram milhares de hectares de cereais, fizeram subir terrivelmente o preço dos alimentos em apenas dias. Tendência, aliás, que já se vinha verificando nos últimos anos. A escassez que provoca o acesso limitado à alimentação por causa de salários baixos, junto à tentativa de governos como o de Mubarak no Egito, de impor um preço mínimo a certos produtos de primeira necessidade, como pão, provocou falta dos mesmos na rua, ao ser impossível para os fornecedores produzir baixo com margens de ganância tão baixos.

Isto desencadeou protestos por todo o mundo árabe. Ocidente interveio de forma acertada: ajudou a implodir processos onde podia conseguir reordenar a situação e virou as costas naqueles protestos onde a demolição da ordem estabelecida, era claramente em contra de seus interesses, como no caso do Bahreim.

Também, como vimos falando já há tempo, o Império americano é um Império militarmente pouco efetivo, mas que o que perde no campo de batalha volta a ganhá-lo no domínio geoestratégico. Assim aconteceu com as operações de Georges Bush filho, que tentaram remover o Oriente Médio e ficaram varadas em Iraque e Afeganistão.

Agora Obama esta a remover esse Oriente Médio em favor de Ocidente, com todas as suas reservas energéticas, num novo século onde o controlo energético será vital para exercer a hegemonia mundial. Tudo sem necessidade de grandes ações armadas sobre o térreo.

Em 4 de Julho de 2009, num discurso na Universidade do Cairo, o Presidente Americano já advertida aos Governantes Árabes e do Magreb, da necessidade de profundas reformas democráticas no seio das suas sociedades. Poucos fizeram caso.

Obama sentenciava que a democratização era indispensável, pois seus assessores já lhe advertiram que o mundo islâmico estava na encruzilhada de quatro factores incontroláveis: altas taxas de desemprego juvenil, altas taxas de precariedade social, corrupção e falta de liberdade. E Ocidente precisava um islã amigo: “Venho cá na procura duma nova relação entre os EUA e os muçulmanos do mundo”, disse Obama em seu discurso, fazendo finca-pé em que ambos compartilhavam: “princípios comuns de justiça, progresso, tolerância e dignidade das pessoas”

Agora assistimos esta nova jogada magistral da inteligência americana. Nesse térreo os Estados Unidos são superiores a qualquer adversário. Mas Líbia cria um problema. A resistência pró-ocidental é muito débil, apesar da grande campanha publicitária da Mídia Global, que nos fez acreditar o contrario. Ainda não conhecemos um rosto oficial de dita dissidência, sabemos apenas de algum exilado ou antigo general do exercito de Kadafi que se amostra como possível candidato ao cargo. O fieis ao ditador líbio tem baixo seu controlo praticamente todo o país a exceção da cidade Benghazi, que se não tem caído já em mãos do Coronel foi devido à decidida intervenção da aviação francesa.

Curiosamente os militares franceses levam a primeira missão militar sobre o térreo, tal vez, para ressarcir-se das revelações de Said Al Islam (Espada do Islã), filho predileto de Kadafi, quem assegurou que fora o governo líbio que financiou a campanha eleitoral do actual presidente francês Nicolas Sarkozy, a quem chamou publicamente de “palhaço”, numa entreviste concedida a Cadeia Televisiva Euronews; na que também assegurava que as forças aliadas não teriam tempo real para impedir a queda de Benghazi, pelo qual a resolução de Nações Unidas, carecia de significado.

Assim as cousas e dado o temor de Iraquização, numa nação a escassas milhas da União Europeia, o pior dos cenários seria a necessidade duma intervenção militar directa das forças da coligação. Daí que previsivelmente estamos diante dum cenário de tentativa de remover o governo líbio, a base de minar-lhe os apoios internos, desmoralização da população e revoltas civis ante os contínuos bombardeios sobre Trípoli e outras cidades, e afinal virada de lealdades entre os principais chefes tribais do país, que apenas há dous dias claramente expressavam seu total rejeitamento a entrada de forças estrangeiras em seu território.

Para conseguir isto é imprescindível manter o controlo de Benghazi, assim como manter operativo o Comitê Nacional de Transição, que permitirá num futuro pós Kadafi, chegar a acordos entre os distintos poderes nacionais sobre o reparto dos futuros negócios que as Corporações multinacionais Ocidentais vão estabelecer no país norte africano.

Eis agora o jogo neste tabuleiro. Por parte de Kadafi, resta agüentar os bombardeamentos, tentam infiltrar tropas em Benghazi e desenrolar uma guerra casa por casa na cidade, com o intuito de tomá-la. Manter um férreo controlo policial sobre Trípoli principalmente, como possível ultimo bastião. Tentar manter a fidelidade dos clãs afins, evitar rupturas o qual vai depender de como agüente a pressão militar ocidental a população e os adeptos o regime, que seguro vai ser assustadora, daí Kadafi advertir que se prepara para uma longa guerra. E aguardar um desespero Ocidental que faça planejar uma intervenção directa na Líbia.

Outros cenários parecem agora longe, dado o Kadafi, não ter muito a ganhar com a saída do poder como Mubarak ou Bem Ali, pois o Tribunal Penal Internacional está a espera dele na Haia; e os aliado não fiar-se nunca dum Coronel que antanho apoio a tudo movimento anti-ocidental, tanto na Europa como na África.

Assim que tudo parece neste cenário, de momento, rumar com vento favorável ao Ocidente.

No campo onde Ocidente tem as perder é no económico e social, onde o aprofundamento da crise e a perda constante do valor do dólar estão a por em causa a hegemonia económica e política do Império. Verificada a má onda política pela falta de expectativas da população ocidental, a perda de poder da classe media, a situação de alta precariedade das classes trabalhistas entre outros factos devido ao deslocamento da produção iniciado nos anos noventa, ect. Alem de no plano mercantil a capacidade dos emergentes, nomeadamente China, que não param de assestar um golpe traz outro aos sectores industriais, comerciais e tecnológicos o Ocidente, põem muitas pedras no caminho da inquestionável dominação ocidental.

Todo isto ameaça a estabilidade global, sobre todo si temos em conta que nos últimos dez anos temos assistido a um aumento dum 45% nas despesas militares a nível planetário.

Das quais Estados Unidos com mais dum 40% do gasto global ocupa o primeiro lugar, seguido da China muito de longe com um 6%, que no entanto este ano vem de elevar em 66 bilhões de dólares seu orçamento militar.

O qual evidentemente a ninguém, medianamente informado, pode deixar completamente tranqüilo, em épocas de grave crises mundial e pelo tanto em épocas de concorrência pelos recursos; baixo um marco de escassez e, cada vez mais limitadas, opções de engajamento.

 

Artur Alonso Novelhe

 

Comentarios  

+1 José Manuel 21/03/2011 12:19
Obama tem programada uma visita ao Brasil e próximamente outra a Chile... Será para tentar evitar que os países emergentes do Sul da América tomem os seus posicionamentos visto o declínio norteamericano??
Parabéns, Artur.
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+1 a.alonso 21/03/2011 13:10
Chile é um aliado inquestionável… com modelo económico neo-liberal.
Brasil é um aliado estratégico com modelo económico diferente (mercantilismo de estado), mas com um tratado militar forte. A Brasil a aliança com EUA, lhe permite ser a potencia hegemônica e o moderador entre as distintas visões de America do Sul, economia neo-liberal e Desenvolvimento apoiado e controlado desde o Estado do ALBA... ou socialismo do Século XXI... como prefiramos chamar-lhe.
Brasil tem o pré-sal com grandes reservas por explorar... em estes momentos a ambos lhes convém a aliança
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+1 compli 21/03/2011 22:56
Penso que Brasil comete un erro o aliarse cos EEUU pois soio traballan polo seu interes e van facer a forma de que brasil quede superditado a politica imperialista do norte e faga de pàrachoques dante as reindiviacions sociais dos paises do sur.
O texto desarrolla ben a situacion nesta parte do globo. gustoume.
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+2 José Manuel 22/03/2011 13:01
Se Brasil quer ser hegemónico deve safar dos EEUU sem se confrontar com ele. Inteligente política a brasileira. Muito galega (Deus o bom e o demo não é mau).
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+1 José Manuel 23/03/2011 13:48
...e acrescentar que o corte que a Dilma lhe deu ao Obama é muito significativo...
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